terça-feira, 1 de maio de 2012

Deslumbre

Ela olhou pela janela e de lá enxergava o mundo. O mundo dela.
De lá os males eram gota em meio a oceano. De lá tudo era flor, o jardim que sempre quis, sonhou.
Fora da janela as cores não haviam, as maledicências afloravam, as estações não mudavam, era sempre inverno.
Como a vida dela. Fria, rústica, sem o nome que a intitulava (vida).
O inverno inventado por ela já desfalecendo toda ela, não tinha verão, outono ou primavera que curasse,
se pela própria vontade não parasse. Não parasse de sofrer por pouco, de chorar sem razão,de trocar o sim pelo não.
A vida que tem só a ela convém.
Mudar. Mudar em favor de si, em favor de quem interessa, e esquecer a janela que só se via de longe, um outro lugar. Mudar e viver aonde se pode estar, a vida que é só uma, só dela e de mais ninguém.